terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Paradigmas de um profissional

Não são poucos os questionamentos que giram em torno da profissão “jornalista”. Não bastasse outras polêmicas a última foi a suspensão da obrigatoriedade do diploma, fato acontecido em meados de 2009, deferido pelo então ministro das telecomunicações Gilmar Mendes. Mesmo antes da decisão oficial, por muitos anos a polêmica se arrolou, e dividiu opiniões de profissionais, tanto na área de comunicação quanto na área acadêmica. Mas o foco aqui não é colocar minha opinião sobre a obrigatoriedade do diploma. Como jornalista, se assim já posso me considerar, entendo que a polêmica terá vida longa.

Mas existem outros pontos discutíveis, que tornam, a meu ver, o jornalismo uma das profissões mais intrigantes dentre todas as outras. É esse o ponto que pretendo desenvolver. Fruto do trabalho de um jornalista existe a reportagem, que segundo os grandes teóricos, deve ser clara, direta e objetiva. Eis o primeiro impasse. Cabe ao jornalista relatar os fatos com fidelidade, ética e acima de tudo manter um compromisso com o interesse publico. A princípio parece fácil a tarefa. Definitivamente não é nada simples.

Um dos primeiros impasses é encontrado no próprio profissional. Antes de existir o jornalista, existe o homem, o cidadão, o pai de família, o eleitor, que possui suas próprias convicções, ideologias, crenças valores, enfim não há um profissional puramente racional. Quando se fala em objetividade, por exemplo, o contraponto se encontra no fato de que jornalista fala de pessoas, objetivo está ligado a objetos. Parece complicado, e realmente o é. Pessoas normalmente remetem ao subjetivo, ligado ao sujeito, emocional ou racional, mas acima de tudo provido de sentimentos que os tornam atores sociais de um contexto ininterrupto.

Ideologias também pertencem aos meios de comunicação de massa, detentores da informação, ou do controle dela. Portanto, para ser ético, o jornalista precisa se desvincular de suas próprias concepções, valores e crenças? Para ser objetivo o jornalista precisaria desacreditar do contexto social que ajuda na sua própria formação? Parece que não tem fim tantos questionamentos em torno de uma profissão como a do jornalista. No entanto, algo pode em partes resolver a princípio, a polêmica. Para ser profissional é preciso acima de tudo dignidade.

Para falar de pessoas é preciso ser uma delas, mas contar história é preciso ser parte de uma. Ser jornalista é carregar no sangue e na filosofia a responsabilidade social. Responsabilidade que também pertence políticos, médicos, enfim ao ser humano. Escolher ser jornalista é escolher ser parte de uma construção social que por mais complicada que possa parecer, permite construir todos os dias uma nova história. Histórias, normalmente, não se contam sem emoção sem o sujeito que pode até ser objetivo, mas jamais deixará de ser um ator de uma sociedade e seus dilemas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Maior abandonado, um problema de todos

A rotina diária de centenas de pessoas pelas ruas de Belo Horizonte faz com que, muitas vezes, as cenas mais comuns escapem aos olhos destes transeuntes. Mas mesmo que não haja olhares para os fatos, eles existem, e são problemas que envolvem a saúde social. Às vezes é preciso olhar com mais atenção em nossa volta e perceber que existe um mundo a parte, marginalizado, e que dele pessoas fazem parte.

Meu olhar se voltou para este assunto pela seguinte situação: semana passada, saí pelo centro de Belo Horizonte procurando menores abandonados para realizar um trabalho contra- hegemônico, com o objetivo de mostrar outros tipos de violência contra crianças e adolescentes. Estes não foram encontrados em grande quantidade, ao contrário, pouco se viu menores pelas ruas da capital como antes se via. Onde estão estas crianças afinal? Até hoje não descobri, mas me deparei com outros abandonos, homens e mulheres, com média de idade de aproximadamente 35 anos. Nessas horas você para e pensa, qual é a realidade dessas pessoas? De que é a responsabilidade afinal?

A que se pode atribuir tamanha indiferença? O fato é que de acordo com as estatísticas, no futuro, a população idosa será maior do que a jovem, mas não se pode permitir que sejam maiores abandonados. De acordo com um cadastramento realizado Polícia Militar em 2007, o número de moradores de rua na capital era de aproximadamente 1,1 mil. Hoje estatísticas apontam um crescimento para 1.2 mil pessoas. Um fato curioso é na capital hoje existem aproximadamente 800 vagas em abrigos públicos, no entanto, estas pessoas muitas vezes resistem este acolhimento. Mas quais são os possíveis motivos que levam uma pessoa se tornar moradora de rua?

De acordo com pesquisas vícios com bebidas alcoólicas, drogas em geral brigas familiares, depressão e a indiferença social, são os principais fatores que levam pessoas para as ruas e marquises das grandes cidades. Se pararmos para pensar em época de eleição, pouco se vê em projetos governamentais, que traga uma proposta capaz de reverter esta situação. Ao andamos pelas ruas nos deparamos cada vez mais com essas cenas, é um problema social de todos. A saúde da sociedade vai mal, pois a pior indiferença não aquela que ignora um fato, mas sim a que ignora a própria concepção de sua existência.