Não são poucos os questionamentos que giram em torno da profissão “jornalista”. Não bastasse outras polêmicas a última foi a suspensão da obrigatoriedade do diploma, fato acontecido em meados de 2009, deferido pelo então ministro das telecomunicações Gilmar Mendes. Mesmo antes da decisão oficial, por muitos anos a polêmica se arrolou, e dividiu opiniões de profissionais, tanto na área de comunicação quanto na área acadêmica. Mas o foco aqui não é colocar minha opinião sobre a obrigatoriedade do diploma. Como jornalista, se assim já posso me considerar, entendo que a polêmica terá vida longa.
Mas existem outros pontos discutíveis, que tornam, a meu ver, o jornalismo uma das profissões mais intrigantes dentre todas as outras. É esse o ponto que pretendo desenvolver. Fruto do trabalho de um jornalista existe a reportagem, que segundo os grandes teóricos, deve ser clara, direta e objetiva. Eis o primeiro impasse. Cabe ao jornalista relatar os fatos com fidelidade, ética e acima de tudo manter um compromisso com o interesse publico. A princípio parece fácil a tarefa. Definitivamente não é nada simples.
Um dos primeiros impasses é encontrado no próprio profissional. Antes de existir o jornalista, existe o homem, o cidadão, o pai de família, o eleitor, que possui suas próprias convicções, ideologias, crenças valores, enfim não há um profissional puramente racional. Quando se fala em objetividade, por exemplo, o contraponto se encontra no fato de que jornalista fala de pessoas, objetivo está ligado a objetos. Parece complicado, e realmente o é. Pessoas normalmente remetem ao subjetivo, ligado ao sujeito, emocional ou racional, mas acima de tudo provido de sentimentos que os tornam atores sociais de um contexto ininterrupto.
Ideologias também pertencem aos meios de comunicação de massa, detentores da informação, ou do controle dela. Portanto, para ser ético, o jornalista precisa se desvincular de suas próprias concepções, valores e crenças? Para ser objetivo o jornalista precisaria desacreditar do contexto social que ajuda na sua própria formação? Parece que não tem fim tantos questionamentos em torno de uma profissão como a do jornalista. No entanto, algo pode em partes resolver a princípio, a polêmica. Para ser profissional é preciso acima de tudo dignidade.
Para falar de pessoas é preciso ser uma delas, mas contar história é preciso ser parte de uma. Ser jornalista é carregar no sangue e na filosofia a responsabilidade social. Responsabilidade que também pertence políticos, médicos, enfim ao ser humano. Escolher ser jornalista é escolher ser parte de uma construção social que por mais complicada que possa parecer, permite construir todos os dias uma nova história. Histórias, normalmente, não se contam sem emoção sem o sujeito que pode até ser objetivo, mas jamais deixará de ser um ator de uma sociedade e seus dilemas.
