sábado, 15 de janeiro de 2011

E por falar em cultura popular... folclore um dia será

Os valores da modernidade vêm transformando, de forma às vezes imperceptível, e fazendo uma releitura do tradicional, do que é institucionalizado como costume de um povo. A partir destas transformações surgem os fatos folclóricos, elementos resultantes da fragmentação da cultura popular. Mas até que ponto um costume, um valor pode ser considerado cultura popular ou fato folclórico no imaginário coletivo? A resposta se encontra no simbolismo das representações baseadas nas experiências empíricas.

Para traçar esta definição é necessário, portanto, contextualizar o conceito e sua relação social. Situá-lo no tempo e no espaço e determinar o que um elemento representará dentro de sua funcionalidade, ou dentro de um exercício de memória coletiva. Contudo os valores do passado são transformados no presente e representados no futuro. Parece confuso esta lógica, mas na verdade ela define o que é cultura popular e o que é fato folclórico.

A cultura popular é representada a partir de sua funcionalidade, por isso a necessidade de contextualizá-la. O que é cultura popular em um lugar pode ser fato folclórico em outro. O carro de boi, em uma cidade do interior de minas, Capelinha, por exemplo, possui uma funcionalidade: de transporte de colheitas, madeiras enfim, isto é cultura popular. Em Belo Horizonte este mesmo carro de boi é folclore, não dá para colocar um em plena Avenida Afonso Pena transportando algo, isto é elemento da memória coletiva.

Percebe-se que a contemporaneidade é capaz de transformar os valores da cultura popular dentro do que lhe cabe enquanto função. Por outro lado, se mantêm viva dentro do imaginário coletivo, por sua força simbólica e pela sua representação a partir do fato folclórico. A história tem esta função de tecer os contextos e estabelecer o que não pode deixar de existir, a memória de um povo. Um povo sem passado não vive o presente e não é capaz de projetar um futuro. E não se faz isto sem ter história para contar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sem fronteiras

É sabido e notório que ha muito a indústria cinematográfica americana é a grande senhora das telas e das mirabolantes produções espalhadas pelo mundo. O fato é que na atualidade, essa hegemonia soberana invade cada vez mais as nossas casas, ocupando o espaço, claro com a nossa permissão, que poderia ser cedido as nossas culturas locais.


Especialistas dizem por aí que tal processo é resultado da onda do momento, a chamada globalização, que estabelece a quebra de barreiras entre as nações. Mas além de abrir as fronteiras econômicas e comerciais, faz com que cada vez mais tais nações percam suas próprias identidades e absorvam em larga escala as mais variadas culturas, sobretudo a americana.


O que chamou minha atenção para abordar este assunto sob o ponto de vista da indústria cinematográfica foi justamente por perceber a evolução deste processo paralelo a cultura de massa. O paradoxo surge no ponto em que há uma hibridização entre as culturas populares e de massa, onde a primeira é absorvida e absolutamente transformada pela segunda.


A crítica pode ser entendida ao nos depararmos com produções não comerciais, que por muitas vezes são produzidas com um baixo orçamento e, no entanto não são absorvidas no mercado mundial. Ainda que conte histórias capazes de impor um olhar sobre a realidade, será essa intenção, é exatamente evitar uma crítica, ou fica a mercê do telespectador?


Já dizia o falecido diretor de cinema Richard Brooks: “As imagens vêm primeiro, e com as imagens, como a música, a primeira reação é emocional." Especialistas concordam que a extraordinária popularidade do cinema obtida com o sistema de Hollywood entre platéias do mundo todo há mais de cem anos confirma essa verdade essencial.


É nesse contexto que se volta à questão da globalização. O poder emocional das imagens é traduzido facilmente entre as diversas culturas e faz dos filmes de Hollywood um dos maiores produtos de exportação dos Estados Unidos. “O cinema não é simplesmente entretenimento, é uma espécie de montanha-russa de emoções para platéias no escuro” dizia Brooks.