terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Maior abandonado, um problema de todos

A rotina diária de centenas de pessoas pelas ruas de Belo Horizonte faz com que, muitas vezes, as cenas mais comuns escapem aos olhos destes transeuntes. Mas mesmo que não haja olhares para os fatos, eles existem, e são problemas que envolvem a saúde social. Às vezes é preciso olhar com mais atenção em nossa volta e perceber que existe um mundo a parte, marginalizado, e que dele pessoas fazem parte.

Meu olhar se voltou para este assunto pela seguinte situação: semana passada, saí pelo centro de Belo Horizonte procurando menores abandonados para realizar um trabalho contra- hegemônico, com o objetivo de mostrar outros tipos de violência contra crianças e adolescentes. Estes não foram encontrados em grande quantidade, ao contrário, pouco se viu menores pelas ruas da capital como antes se via. Onde estão estas crianças afinal? Até hoje não descobri, mas me deparei com outros abandonos, homens e mulheres, com média de idade de aproximadamente 35 anos. Nessas horas você para e pensa, qual é a realidade dessas pessoas? De que é a responsabilidade afinal?

A que se pode atribuir tamanha indiferença? O fato é que de acordo com as estatísticas, no futuro, a população idosa será maior do que a jovem, mas não se pode permitir que sejam maiores abandonados. De acordo com um cadastramento realizado Polícia Militar em 2007, o número de moradores de rua na capital era de aproximadamente 1,1 mil. Hoje estatísticas apontam um crescimento para 1.2 mil pessoas. Um fato curioso é na capital hoje existem aproximadamente 800 vagas em abrigos públicos, no entanto, estas pessoas muitas vezes resistem este acolhimento. Mas quais são os possíveis motivos que levam uma pessoa se tornar moradora de rua?

De acordo com pesquisas vícios com bebidas alcoólicas, drogas em geral brigas familiares, depressão e a indiferença social, são os principais fatores que levam pessoas para as ruas e marquises das grandes cidades. Se pararmos para pensar em época de eleição, pouco se vê em projetos governamentais, que traga uma proposta capaz de reverter esta situação. Ao andamos pelas ruas nos deparamos cada vez mais com essas cenas, é um problema social de todos. A saúde da sociedade vai mal, pois a pior indiferença não aquela que ignora um fato, mas sim a que ignora a própria concepção de sua existência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário